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Rosemar Coenga

A literatura como direito

14/06/2018 07h30 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00


Para tratar da leitura como direito, recorremos à clareza do professor Antonio Candido. O brilhante ensaio “O Direito à Literatura”, Antonio Candido (sociólogo e crítico literário) afirma que a literatura tem de ser vista como um direito básico do ser humano.

Ele via a luta pelo acesso à literatura no contexto da luta pelos direitos humanos, por corresponder a “uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza”. Para Candido, “negar a fruição da Literatura é mutilar a nossa humanidade”.

Outros especialistas na área da Leitura, dentre eles: Rildo Cosson e Graça Paulino defendem que construir a própria identidade, a partir de uma representação cultural, é um direito humano que se efetiva pela literatura: “O texto literário nos ajuda a dizer e o que somos e que não somos, o que queremos e o que não queremos ser, que valores defendemos para nosso mundo e o mundo em que queremos viver”.

A literatura tem esse papel encantador de aproximar, iluminar a infância, a juventude, e as histórias criam novos sentimentos nas crianças/jovens em relação ao mundo e a tudo o que as cercam. A formação de pequenos e jovens leitores em contato com a universalidade cultural amplifica sistemas de valores críticos, políticos, afetivos e criativos. Nesse sentido, é preciso pensar, aproximar e familiarizar a criança e o jovem com a leitura. 

O acesso à cultura é um direito e, assim como qualquer outro, deve ser cobrado pela população, sob pena de ter mutilado seu direito à dignidade humana. Afinal, como preconizou Candido, somos humanos, pois a literatura atenua nossa barbárie.

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