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Anna Maria Ribeiro Costa

Vitrines

17/05/2018 08h15 | Atualizada em 17/05/2018 08h17


O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) comemora os 200 anos de museus no Brasil. São hoje 3.800 instituições museais inscritas no Cadastro Nacional de Museus, dentre elas a Casa Barão de Melgaço, imóvel que acolhe o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e a Academia Mato-grossense de Letras. Tudo começou com D. João VI que ao chegar ao Brasil criou, em 1818, o Museu Real, hoje Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em 1882, houve a inauguração da “Exposição Antropológica Brasileira” que comemorou, também, o aniversário da Princesa Isabel. Lá estavam Pedro II, a imperatriz Tereza Cristina e a aniversariante. A grande atração foi a presença de índios que, nus, eram destaques no museu junto a artefatos e fósseis.

Índios Botocudos, os espécimes vivos da exposição. Foi inevitável o tumulto provocado pelos visitantes diante das vitrines que exibiam pessoas como um zoológico. Naquele último sábado de julho, os índios foram retirados do local e, no mês seguinte, estavam novamente expostos, desta vez na quinta de São Cristóvão, com a apresentação de cantos e danças para um seleto grupo de estudiosos e cortesãos. Em setembro, ao fim do evento, os indígenas puderam retornar às aldeias do rio Doce, Minas Gerais.

Hoje, os indígenas não estão mais expostos em vitrines, mas nos mapas da fome (Inep) e da violência (Cimi), a se encontrar com as camadas da população não indígena mais desfavorecidas do Brasil. Na moção da Associação Brasileira de História Oral, aprovada na Unicamp, no último 4 de maio, leu-se: “os indígenas enfrentam os interesses do agronegócio e do extrativismo predatório, muitas vezes acobertados por milícias e forças policiais. A situação das populações indígenas torna-se ainda mais vulnerável diante do enfraquecimento da Funai e do avanço da bancada ruralista.” 

Que em Cuiabá, os museus sejam reabertos e possam “assumir a construção e ampliação de diálogos, visando o desenvolvimento sustentável em todas as frentes”, de acordo com a proposta do Ibram para os museus brasileiros.

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