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Anna Maria Ribeiro Costa

'Tem Guató aí. Tem Guató lá. Tem em todo o Pantanal'

10/05/2018 07h30 | Atualizada em 09/05/2018 21h46


A primeira vez que estive entre o povo Guató, do baixo rio São Lourenço, foi no ano 2000, junto a Jorge Luis de Paula. O indigenista José Eduardo havia solicitado à Funai estudos de identificação de um núcleo Guató, onde as águas dos rios Cuiabá e São Lourenço se encontram.

Nessa ocasião, realizamos um levantamento da população, àquela época com 85 indígenas, vivendo em uma estreita faixa de terra, às margens do São Lourenço. Em virtude da situação de posse precária de seu território, a Funai solicitou e obteve da Justiça Federal de Mato Grosso a interdição de uma área, através de uma ação possessória de interdito proibitório contra os proprietários das fazendas desse perímetro.

Na segunda viagem estava junto de dois índios Bororo da aldeia Perigara, técnicos da Funai e da arqueóloga Maria Clara Migliácio. A equipe também foi integrada por um oficial da Justiça Federal de Mato Grosso que encaminhou o interdito proibitório aos proprietários das fazendas Coqueiro, São Benedito e Baía dos Guató, baseado no relatório da primeira viagem. Sua ação iria garantir a permanência desses índios na região, já ameaçados pelos fazendeiros locais.

Junto aos Guató, percorremos de barco uma enorme extensão do bioma do Complexo do Pantanal, conduzidos por Euclides Guató, por um emaranhado de pequenos fluxos fluviais perenes, os corixos. No barco, estava Domingos Manoel de Amorim, o mais velho da aldeia, que indicava ao barqueiro os caminhos aquáticos para que pudéssemos conhecer as aldeias antigas onde morou.

O presidente Temer, em mensagem postada em rede social, afirmou: “Assinei hoje, com satisfação, decreto homologando a demarcação da Baía dos Guató, no município de Barão de Melgaço (MT). São quase 20 mil hectares de terra à beira do rio Cuiabá, ou 20 mil campos de futebol”. Ora bolas! O que são “20 mil campos de futebol” diante da usurpação do território imemorial Guató?

“Tem Guató aí. Tem Guató lá. Tem em todo o Pantanal! E devagarzinho, fomos ajuntando as peças de um grande mosaico que se julgava destruído”, exclamou Ada Gamparotto.

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