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ROSEMAR COENGA

Falando de Ponciá Vicência

09/11/2017 06h00 | Atualizada em 12/11/2017 12h14

Conceição Evaristo é natural de Belo Horizonte e hoje vive no Rio de Janeiro. Estreou na literatura na década de 1990, é doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense e militante ativa do Movimento Negro. Suas obras abordam questões como o racismo brasileiro e a condição de ser mulher e negra no país. Conceição tem diferentes obras publicadas e premiadas no exterior. Entre elas está o romance de 2003 Ponciá Vicêncio, um de seus livros mais famosos. A terceira edição foi lançada pela Editora Pallas. 

Em Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo retrata a vida de uma menina-mulher negra, descendente de escravos, cuja família ainda vive nas terras dos/próximas a seus antigos senhores e dos quais inclusive carrega o sobrenome. “O tempo passou deixando a marca daqueles que se fizeram donos das terras e dos homens”, diz a autora.

O livro retrata a realidade da abolição da escravatura no Brasil, realizada sem nenhum tipo de compensação para os ex-escravos e com a manutenção de diversas relações serviçais. O livro ainda trata da grilagem dos ex-senhores em cima das terras dos negros e como os brancos se aproveitam do fato de os negros não saberem ler. Tal herança é presente ainda nos dias de hoje, não no livro de Conceição Evaristo, mas na vida real.

Nesses tempos de conturbação política, à beira de um inesperado retrocesso das conquistas sociais no Brasil, o livro, ainda que ficção, traz uma poderosa reflexão sobre como a escravidão e a condição da mulher subjugada ainda moldam a sociedade brasileira. Para saber mais sobre Ponciá Vicêncio, é preciso ir ao encontro dela. 
 

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