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WANIA MONTEIRO DE ARRUDA

ALIMENTAÇÃO COM MENOS CARBOIDRATO

arne e principalmente os embutidos e queijos possuem grande quantidade de sódio, que pode aumentar a pressão arterial

Wania Monteiro de Arruda

Colunista

13/06/2017 10h00 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00


Alimentação com menos carboidrato não quer dizer comer bacon no café da manhã... E nem de se “entupir de carne” ou embutidos ou laticínios, como (infelizmente) muitos pensam e divulgam por aí…Como já falei aqui, dieta low carb é uma redução na ingestão habitual de carboidratos, principalmente carboidratos vindos de pães, biscoitos, massas, doces, refrigerantes e produtos industrializados em geral (sucos/refrescos, gelatinas, cereais matinais, empanados etc.).

E mesmo que o objetivo seja a perda de peso (e não só o controle de problemas metabólicos, como diabetes, resistência insulínica ou esteatose hepática), não há por que evitar frutas, hortaliças ou mesmo tubérculos! Mas há uma crença generalizada de que low carb é a senha para se tornar frequentador assíduo de churrascarias rodízio ou para se esbaldar nos embutidos e laticínios, aliás, esse é o maior erro que as pessoas cometem! Dietas com restrição de carboidratos são usadas principalmente com a finalidade de melhorar a sensibilidade à insulina (ou seja, fazer com que o corpo otimize o uso da insulina existente e não produza demais, sem necessidade) e, consequentemente, melhorar o controle glicêmico, os níveis de colesterol e triglicerídeos, reverter a esteatose hepática (gordura no fígado), reduzir o peso corporal (e principalmente o percentual de gordura corporal) e ainda no tratamento e prevenção do câncer. A carne dos animais que temos hoje tem um perfil de gordura mais inflamatório em função da alimentação que estes animais recebem, geralmente muito diferente da alimentação que eles escolheriam se vivessem soltos, sem falar que os animais criados para o abate vivem confinados (para gastarem menos energia e engordarem mais rápido) e tomam antibióticos com frequência (porque ficam mais doentes), o que, por sinal, altera sua flora microbiana natural e favorece o ganho de peso. Além disso, os resíduos de antibióticos presentes na carne que consumimos também alteram nossa saúde intestinal.

Carne e principalmente os embutidos e queijos possuem grande quantidade de sódio, que pode aumentar a pressão arterial, causar edema (inchaço), favorecer a formação de cálculos renais e a perda de cálcio dos ossos, e ainda estão relacionados a um risco maior de câncer de estômago; laticínios, independentemente da quantidade de lactose, possuem proteínas e aminoácidos que aumentam a produção da insulina (por isso diz-se que possuem alto índice insulinêmico) e de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina). Isso é importante e benéfico quando se trata de crianças e bebês em fase de crescimento e pessoas desnutridas que necessitam recuperar seu estado nutricional, não para adultos. Frutas e hortaliças possuem fibras, importantíssimas para a boa função intestinal e eliminação das toxinas que necessitam ser eliminadas pelas fezes. Essas fibras também são capazes de melhorar a nossa microbiota (“flora”) intestinal, favorecendo o crescimento de bactérias “do bem” e estimulando a produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias importantes para a saúde intestinal, para o controle dos níveis de colesterol (aumento do HDL e diminuição do LDL) e diminuição da inflamação. Lembrando que intestino preso é o caminho mais rápido para desenvolver SIBO ou crescimento excessivo de bactérias ruins no intestino delgado, condição que causar diversas doenças. Além disso, frutas e hortaliças possuem vitaminas e compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidantes, que neutralizam a ação dos radicais livres e a inflamação. Também possuem magnésio e potássio, necessários ao equilíbrio do pH do corpo (evitando acidez excessiva que “rouba” o cálcio dos ossos para ser neutralizada), estes minerais também são importantes para a manutenção de níveis mais baixos de pressão arterial e prevenção de cálculos renais. Muitas pessoas fogem das frutas com medo da frutose. De fato, frutose demais é um perigo, pois aumenta os triglicerídeos, o ácido úrico, causa gota e piora o quadro da síndrome metabólica. Mas é importante dizer que não é a frutose naturalmente presente nas frutas! A frutose “do mal” é a que está no xarope de milho, presente numa infinidade de produtos industrializados (muitas vezes disfarçada com o nome de açúcar invertido ou açúcar líquido), como refrigerantes, sucos “de caixinha”, biscoitos, pães, barrinhas e cereais matinais, achocolatados e iogurtes. Frutose também está presente na sacarose, o açúcar de cana (ou açúcar de mesa), que muitos usam com exagero e que também está presente (em alguns casos, junto com o xarope de milho) em muitos produtos industrializados. Concluo que é importante diminuir os carboidratos de absorção rápida como pães, arroz, macarrão etc., mas o uso excessivo de carnes mesmo magras é prejudicial ao nosso organismo, bem como o bacon que é uma gordura péssima que pode entupir nossas veias e artérias. Por isso o que vale é o bom senso e ter uma alimentação rica em alimentos que a terra nos oferece.

 

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