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BIODIVERSIDADE

Agricultores ganham dinheiro para plantar araucárias em todas espécies

Projeto paga a cada agricultor mil reais por ano para plantar e cuidar de pinheiros à beira da estrada

25/09/2017 15h20 | Atualizada em 25/09/2017 15h30 1 comentario

Agricultores ganham dinheiro para plantar araucárias em todas espécies

Reprodução/Internet

Que tal viajar pelo interior, parar o carro à sombra e catar pinhões na beira da estrada? Não se trata de mero saudosismo do tempo em que as araucárias eram abundantes na paisagem paranaense. A possibilidade deste passeio bucólico acontecer de verdade vem aumentando no Paraná e Santa Catarina, graças a um projeto que paga os produtores rurais para cultivar pinheiros à beira da estrada.

O projeto Estradas com Araucárias já contabiliza 100 km de plantios com mais de 20 mil pinheiros emoldurando estradas rurais ao longo de 68 propriedades. Os produtores que aderiram ao projeto estão colocando dinheiro no bolso pelo serviço ambiental. Cada agricultor recebe mil reais por ano para plantar e cuidar dos pinheiros, pagamento efetuado pela empresa DSR de logística e transporte, que, em troca, faz a compensação da emissão de gases de efeito estufa de uma frota de mil caminhões e carretas. “Nosso interesse e de nossos clientes é que nossas operações sejam as mais sustentáveis possível. O ‘Estradas de Araucárias’ despertou de imediato nosso interesse e hoje é uma grife que nos auxilia a trabalhar com mais sustentabilidade e a divulgar nossa marca”, afirma Paulo Caffeu, diretor-executivo da empresa.

Para participar do projeto, o produtor deve cultivar pelo menos 200 araucárias, recebendo R$ 5 anuais por pinheiro. O pagamento é feito por um período entre 12 e 15 anos, até que as árvores comecem a produzir pinhões, que se tornarão a nova fonte de renda dos produtores. O projeto é coordenado pela Embrapa Florestas, com sede em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná.

Equação ganha-ganha

A ideia é ajudar a tirar do pinheiro o estigma de “árvore maldita”, por causa da legislação que proíbe o corte. “Infelizmente, a lei que protege a espécie gerou um efeito negativo. Os produtores rurais, desestimulados, alegando perda de áreas agrícolas e dificuldade em obter autorização caso precisassem cortar alguma árvore, passaram a não plantar araucária e até a evitar o desenvolvimento de regeneração natural”, conta o idealizador do projeto, Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas.

A solução promove o sequestro de carbono pelas araucárias e gera renda aos produtores, sem prejudicar a atividade agropecuária. Para atender normas de segurança, os plantios são sempre realizados fora da faixa de domínio das estradas, mantendo acostamentos e áreas de escapes totalmente livres.

A DSR apoia o projeto há seis anos e já investiu R$ 350 mil no projeto. Oliveira diz que a parceria está aberta à participação de outras empresas interessadas. “Toda a área de ocorrência da araucária, que é o Sul do País e alguns locais de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, são potenciais para implantação do projeto”.

Resultados de pesquisa indicam que, com 25 anos, cada árvore deve ter acumulado o equivalente a 2,4 toneladas de carbono (pouco menos de 100 kg por ano). “Trata-se de um valor alto quando comparado a outras espécies florestais”, aponta o pesquisador da Embrapa.

Um dos entusiastas da ideia é o produtor Amauri Delponte, que tem propriedade de 5,5 alqueires no município da Lapa. “As araucárias do jeito que estão plantadas, em linha, não atrapalham a propriedade e consigo contribuir com o meio ambiente, além de poder comercializar o pinhão depois. O pinhão também pode ser utilizado como alimento pelo gado, que gosta bastante”, conta Delponte. Com a renda proporcionada pelo pagamento da empresa, Delponte compra insumos e diz que conhece outros produtores sensibilizados pela ideia, que hoje plantam araucárias na divisa das propriedades com estradas mesmo sem participar do projeto. Seu desejo? “Que essas árvores produzam pinhão, sombra, e mantenham a biodiversidade. Você tem que ver a quantidade de animais e pássaros que aparecem”, observa o produtor.

Adesão voluntária

Outra propriedade beneficiada é a área do Colégio Agrícola da Lapa. Os alunos são envolvidos no plantio e manutenção das araucárias e usam a experiência prática em seu aprendizado. O professor Heitor Vidal Leonardi conta que o projeto foi implantado no Colégio há seis anos e hoje os alunos são multiplicadores da iniciativa: “Além de fazer a manutenção, eles levam a ideia para suas propriedades e para os vizinhos. Por conta disso, já conseguimos cerca de duas mil mudas para interessados que não participam do projeto”.

Os plantios do projeto Estradas com Araucárias têm sido acompanhados com o software SisAraucária, desenvolvido pela Embrapa Florestas, que simula o crescimento das árvores e calcula o carbono armazenado. Os estudos mostraram tratar-se de uma estratégia eficaz na mitigação de gases de efeito estufa. “As araucárias estão plantadas em linha simples e bem espaçadas, isso permite um incremento de madeira em cada árvore e o crescimento de galhos vigorosos, o que amplia a capacidade de armazenamento de carbono das árvores do projeto”, afirma Oliveira. “Dessa forma, podemos informar ao patrocinador a contribuição ambiental de seu investimento”, explica o pesquisador.

Para a execução do projeto, a Embrapa Florestas tem apoio no Paraná da Secretaria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental (IAP), Emater, Universidade do Centro Oeste do Paraná (Unicentro) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em Santa Catarina, conta com a parceria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). O trabalho é apoiado ainda pelas secretarias de Agricultura dos municípios envolvidos: Lapa, Fernandes Pinheiro e Fazenda Rio Grande, no Paraná, e Caçador, em Santa Catarina.
O projeto já obteve várias premiações: “Prêmio Frotas e Fretes Verdes (2015) – Categoria Sustentabilidade em Produtos”, concedido à Embrapa Florestas e ao Grupo DSR; “Prêmio Social e Ambiental Chico Mendes (2016)”, conferido pelo Instituto Internacional de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental “Chico Mendes”; e o patrocinador do projeto, o Grupo DSR, recebeu o Selo Verde Paraná da Sema-PR, nos anos 2015 e 2016.
 

FONTE: Gazeta do Povo

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